Finalmente, o 44º presidente dos Estados Unidos da América tomou posse, nesta terça-feira. Quando foi anunciado, o ex-presidente Bill Clinton foi, aparentemente, mais ovacionado que a estrela principal do espetáculo. Mas quando Barack Hussein Obama proferiu as fortes e convincentes palavras de seu discurso, o povo que tomava as ruas de Washington D.C. mostrou o motivo pelo qual estava lá.
Assisti ao vivo, assisti no YouTube, li o discurso na íntegra e, então, separei alguns trechos que mais me saltaram aos olhos, para fazer uma breve análise...
O início do discurso trouxe logo um tom ameno, agradecendo o já ex-presidente George W. Bush pela cooperação durante o período de transição e pelos serviços prestados à nação – palavra que, aliás, foi a mais citada durante o pronunciamento (13 vezes no singular, duas no plural).
Em seguida, Obama optou por encarar os problemas pelos quais o país está passando. Nas palavras do democrata, a crise econômica e a guerra são conseqüências da “ganância e irresponsabilidade de alguns” e da falha em tomar certas decisões, respectivamente. Devido a atual turbulência, o presidente destacou inclusive o medo que os cidadãos sentem pelas próximas gerações, temendo que elas tenham que ser “menos ambiciosas”. Neste ponto, ficaram claras duras críticas à forma com que o país foi administrado nos últimos anos. Não era necessário dar nome aos bois.
“Os desafios que enfrentamos são reais, sérios, e muitos. Não serão enfrentados facilmente ou em pouco tempo. Mas saibam disso: eles serão enfrentados.”
“Continuamos sendo a nação mais próspera e poderosa do planeta. Nossos trabalhadores não são menos produtivos do que quando a crise começou, nossas mentes não são menos inventivas e nossos bens de serviço não são menos necessários do que semana passada, mês ou ano passado. Nossa capacidade continua, mas o nosso momento de esperar e proteger interesses estreitos e pequenos e adiar decisões desagradáveis passou.”
Com estas duas partes, em minha opinião, Obama demonstrou uma das principais características de seu discurso de posse: o resgate da confiança do povo americano, em si mesmo e em seu governo.
“Que todos os outros povos e governos que nos ouvem hoje, desde as grandes capitais até as pequenas vilas, como aquela em que meu pai nasceu, saibam que a América é amiga de toda nação e todo homem, mulher e criança que busque um futuro de paz e dignidade; e que estamos prontos para liderar mais uma vez.”
“Não vamos nos desculpar por nosso estilo de vida, e nem deixar de defendê-lo. E para aqueles que querem atacar nosso estilo de vida induzindo o terror e matando inocentes, dizemos que nosso espírito é mais forte e não será quebrado. Não poderão nos superar, nós vamos derrotá-los.”
“Aos líderes, no mundo inteiro, que buscam semear o conflito ou colocar a culpa pelos problemas de sua sociedade no ocidente, saibam que seu povo vai julgá-los baseado no que podem construir, e não destruir.”
“Aqueles que se agarram ao poder através de corrupção e silenciam a dissensão, saibam que estão do lado errado da história, e que vamos estender a mão, se estiverem dispostos a abrir seus punhos.”
Boa parte referente à política externa está resumida nos trechos acima. Muito se fala sobre a possibilidade de Barack Obama abrir totalmente as portas dos Estados Unidos para as relações internacionais, ou que ele seria o salvador de todos os povos. Já eu, acredito que o governante deve selecionar muito bem suas relações e não deve dar o braço a torcer quando se diz respeito às ditaduras, por exemplo – mesmo que sejam as “disfarçadas”.
Além disso, é importante lembrar que, apesar de todo o apoio da população mundial, o novo presidente norte-americano foi eleito pelo povo dos Estados Unidos, para governar os Estados Unidos. Antes de salvar o mundo, ele precisa colocar a casa em ordem.
O democrata adotou um posicionamento muito interessante, ao meu ver, no que diz respeito à ajuda aos países pobres. Obama se mostrou disposto ao auxílio, chamando a atenção de sua própria nação e de outros povos mais ricos sobre a indiferença que existe no planeta. “O mundo mudou, e nós precisamos mudar com ele”, disse.
E um termo do qual gostei muito foi “trabalhar juntos” - para que os povos mais pobres tenham melhores condições de vida. Para mim, isso exclui a idéia de ajuda por meio do assistencialismo.
Em um modo geral, o enfoque do discurso também esteve fortemente ligado ao resgate dos valores dos quais uma sociedade necessita para se desenvolver com bem-estar, justiça e liberdade. Em um mundo que carece tanto de moral e ética, onde os jovens crescem com maus exemplos em cada esquina, um homem com o poder e a influência de Barack Obama carregar sua fala com este foco é muito importante.
Afinal, o discurso me mostrou porque tanta esperança foi depositada neste Hawaiano. Torço para que ele não decepcione...
3 comentários:
Parabéns pela belíssima análise. Depois de muito tempo um presidente americano eleito volta a falar de liberdade, fraternidade e igualdade.
PARABÉNSSSSSS AMIGO!
QUE TALENTO EM SUA ANÁLISE E COMENTÁRIOS...
ABRAÇOS,
CAIO SANTÂNGELO
Parabéns! Li algumas análises que se demonstraram pessimistas sobre o discurso de Obama, pois acharam que ele não usou um tom para, em outras palavras, levantar o astral dos americanos. Mas concordo contigo. Imagine se ele resolvesse dizer que a crise não passa de uma ondinha. Não combina com o Presidente dos EUA. Não é?
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